A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apresentou, em 14 de setembro de 2026, um plano nacional de preparação para os possíveis impactos do El Niño 2026/2027 sobre os recursos hídricos brasileiros. A estratégia reúne ações de monitoramento, governança regionalizada, acompanhamento de reservatórios e eventual adoção de medidas regulatórias para reduzir riscos associados a cheias, estiagem, redução de vazões e aumento das temperaturas.
O planejamento considera que o fenômeno climático não produzirá os mesmos efeitos em todas as áreas do país. A preparação antecipada busca proteger serviços essenciais e atividades econômicas que dependem da disponibilidade e da circulação da água, como o abastecimento público, a geração hidrelétrica, a agricultura, a navegação e a segurança de barragens.
Quais regiões podem ser mais afetadas
De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o Norte e o Nordeste podem enfrentar redução das chuvas, temperaturas mais elevadas e níveis críticos em rios e açudes. No Sul, o cenário previsto inclui aumento de chuvas e vazões, com possibilidade de cheias e inundações. Sudeste e Centro-Oeste podem registrar maior frequência de ondas de calor, seca e incêndios.
A divisão regional é importante porque determina prioridades distintas para o poder público. Enquanto algumas áreas terão de se preparar para administrar a escassez, outras precisarão reforçar a prevenção de enchentes e os mecanismos de resposta a elevações rápidas dos níveis dos rios. O plano da ANA pretende acompanhar essas diferenças por meio de uma atuação coordenada e adaptada às condições locais.
Atenção aos rios da Amazônia e ao Pantanal
Na Região Norte, o monitoramento ficará concentrado nos níveis dos rios amazônicos e nos efeitos sobre a navegabilidade, o abastecimento e a operação de grandes empreendimentos hidrelétricos. Entre as usinas citadas no planejamento estão Jirau, Santo Antônio, Belo Monte e Tucuruí, cuja operação depende das condições hidrológicas e pode ser afetada por alterações relevantes nas vazões.
O Pantanal também aparece entre as áreas que exigem acompanhamento específico. A redução da umidade e o aumento do calor podem ampliar a preocupação com incêndios e provocar impactos sobre a navegação, a pesca e o turismo. A observação contínua das condições hídricas deverá ajudar as autoridades a identificar mudanças e ajustar medidas de prevenção conforme a evolução do cenário.
Nordeste terá foco na alocação de água
No Nordeste, o Grupo Técnico de Acompanhamento do Nordeste deverá trabalhar com cenários de alocação de água para os açudes do Semiárido. A medida considera o risco de uma estação chuvosa abaixo do esperado entre 2026 e 2027, situação que pode pressionar o abastecimento e exigir maior controle sobre os usos autorizados dos reservatórios.
A ANA também poderá adotar regras especiais para captação, operação de reservatórios e utilização da água em 57 sistemas hídricos locais do Semiárido. A definição de eventuais restrições dependerá do acompanhamento das condições de cada sistema, com o objetivo de compatibilizar o consumo humano, as atividades produtivas e a preservação da segurança hídrica.
Preparação inclui saúde pública
Os possíveis efeitos do El Niño também levaram o Ministério da Saúde a organizar uma preparação própria para o período de maior atenção, previsto entre outubro de 2026 e março de 2027. A estratégia considera diferentes riscos, incluindo chuvas intensas, ondas de calor, estiagem e queimadas, que podem aumentar a pressão sobre os serviços de saúde em várias regiões.
Segundo o Ministério da Saúde, a preparação inclui protocolos de resposta, pontos de hidratação, zonas de resfriamento, envio antecipado de medicamentos e atuação regionalizada da Força Nacional do SUS. A proposta é permitir que estados e municípios se organizem de acordo com os riscos predominantes em seus territórios.
Com o plano, a ANA estabelece uma referência nacional para acompanhar os impactos do El Niño no Brasil e orientar decisões sobre água, energia e prevenção de desastres. A efetividade das ações dependerá da atualização dos monitoramentos e da articulação entre órgãos federais, governos locais e setores que utilizam os recursos hídricos. Para a população, o principal efeito esperado é uma resposta mais rápida diante de sinais de escassez, cheias ou calor extremo.

