Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, destaca a relação entre a casa e a forma como seus moradores vivem. A disposição dos móveis, os objetos escolhidos, a iluminação, as cores e até os ambientes que recebem mais atenção podem refletir hábitos, preferências e necessidades do cotidiano. Embora esses elementos não sejam suficientes para definir uma personalidade, eles ajudam a revelar escolhas e modos de viver, mostrando por que um projeto de interiores precisa considerar a rotina real de quem ocupará cada espaço.
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O que a organização dos ambientes pode revelar?
A maneira como uma residência é organizada pode indicar muito sobre a rotina de seus habitantes. Uma cozinha integrada, por exemplo, pode favorecer a convivência e a preparação de refeições compartilhadas, enquanto um espaço de trabalho mais reservado atende a quem precisa de concentração e privacidade. Nesse sentido, o planejamento do interior não trata apenas de distribuir móveis, mas de entender como cada área será utilizada.
A pesquisa sobre psicologia dos ambientes domésticos identificou diferentes necessidades associadas aos espaços residenciais, como restauração, convivência, armazenamento, estímulo, intimidade e produtividade. Essas funções também variam conforme o cômodo e o modo como cada pessoa utiliza a casa. É justamente essa observação da rotina que impede que um projeto seja reduzido à reprodução de um estilo visto em revistas ou redes sociais.
Para Daugliesi Giacomasi Souza, observar os hábitos antes de definir escolhas visuais é uma forma de aproximar o projeto da realidade. Uma casa pode ter poucos elementos decorativos e, ainda assim, ser extremamente personalizada quando sua organização responde às necessidades de quem vive nela. A disposição dos móveis, a escolha dos materiais e a definição dos espaços precisam acompanhar a rotina, criando ambientes que sejam bonitos sem deixar de ser práticos e confortáveis.
Por que os objetos pessoais têm tanto peso no interior?
Fotografias, livros, obras de arte, lembranças de viagens e peças herdadas são elementos que ajudam a construir a identidade visual de uma residência. Não se trata apenas de preencher prateleiras ou paredes, mas de permitir que determinados objetos tenham significado dentro da narrativa daquele espaço. Quando essas peças são escolhidas de maneira consciente, elas podem criar pontos de interesse e tornar os ambientes mais pessoais, sem comprometer a harmonia da composição.

Estudos sobre interiores personalizados mostram que os objetos presentes nos ambientes podem funcionar como sinais utilizados para formar impressões sobre seus ocupantes. Eles podem comunicar interesses, hábitos e aspectos do estilo de vida, ainda que qualquer interpretação precise ser feita com cautela. Por isso, como destaca Daugliesi Giacomasi Souza, a decoração pode ser entendida também como uma forma de expressão, na qual escolhas aparentemente simples ajudam a revelar referências, memórias e preferências construídas ao longo da vida.
A personalização transforma uma casa em lar?
Personalizar não significa necessariamente escolher materiais caros ou produzir ambientes visualmente extravagantes. A personalização pode aparecer em decisões mais discretas, como a altura de uma bancada, a localização de um sofá, a quantidade de armazenamento ou a iluminação adequada para determinada atividade. São escolhas que interferem diretamente no cotidiano e podem tornar o uso dos ambientes mais confortável, mesmo quando passam despercebidas para quem observa apenas a estética.
Pesquisas sobre personalização residencial relacionam as alterações feitas pelos moradores ao desejo de tornar a casa única e expressar características individuais. Estudos mais recentes também investigam a relação entre personalização, vínculo com a residência e bem-estar psicológico. Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, esse vínculo ajuda a explicar por que ambientes que incorporam referências pessoais podem transmitir uma sensação diferente daqueles montados apenas para reproduzir determinado estilo decorativo.
Essa compreensão é relevante porque duas pessoas podem ocupar imóveis semelhantes e precisar de soluções completamente diferentes. A casa de alguém que recebe muitos amigos não terá necessariamente as mesmas prioridades daquela de uma pessoa que valoriza o silêncio e espaços reservados. O projeto passa, então, a traduzir comportamentos em escolhas concretas. Dessa forma, decisões sobre circulação, mobiliário, iluminação e armazenamento deixam de ser apenas questões técnicas e passam a responder às características específicas de cada rotina.
Para acompanhar referências e projetos da DGdecor, o público pode conhecer o trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza no Instagram @dgdecor.construir.

