Instrumento de captação de curto prazo, criado para simplificar o acesso de empresas de menor porte ao mercado de capitais, ganha tração como alternativa ao crédito bancário tradicional
O mercado brasileiro de Notas Comerciais registrou 123 operações no primeiro semestre de 2026, avanço de 43% no número de emissões em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Chama atenção o fato de que, apesar do salto no número de operações, o volume financeiro total captado por meio do instrumento recuou 11,4% no período, o que indica uma queda no tamanho médio das emissões. Na prática, mais empresas estão recorrendo às Notas Comerciais para captar valores individualmente menores, sinal de que o instrumento está alcançando um público de companhias de porte mais reduzido do que aquele que costumava predominar nos primeiros anos após sua criação.
Criadas para simplificar a captação de recursos de curto prazo por empresas não financeiras, as Notas Comerciais surgiram como alternativa às debêntures tradicionais, dispensando exigências como registro de assembleia geral prévia e reduzindo a burocracia associada à emissão. Estudos sobre o mercado apontam que 66% das empresas que emitiram Notas Comerciais nunca haviam acessado o mercado de capitais antes, e que mais de 260 companhias ingressaram pela primeira vez no universo de valores mobiliários corporativos por meio desse instrumento desde sua criação, em 2021. Esses números reforçam o papel do instrumento como porta de entrada para empresas de médio porte que, até então, dependiam quase exclusivamente de linhas de crédito bancário para financiar capital de giro e projetos de curto prazo.
Aumento no número de operações reflete acesso de empresas menores
O crescimento simultâneo no número de emissões e a redução no volume médio captado por operação sugerem que as Notas Comerciais estão cumprindo, de forma cada vez mais consistente, o papel para o qual foram concebidas: oferecer a empresas de médio porte, e não apenas às grandes companhias que historicamente dominavam o mercado de dívida corporativa, uma alternativa viável de captação fora do sistema bancário tradicional. Esse movimento acompanha um cenário de custo de crédito bancário elevado, que tem levado empresas a buscar fontes alternativas de financiamento de capital de giro com maior eficiência de custo.
Para Paulo Viesti, diretor da ID CTVM, a democratização do acesso ao instrumento depende diretamente da capacidade dos administradores fiduciários de tornar o processo de emissão viável para operações de menor porte:
“Uma empresa de médio porte que nunca acessou o mercado de capitais precisa de um processo de emissão simples, rápido e com custo compatível com o volume que pretende captar. Quando a estrutura de emissão é enxuta o suficiente para viabilizar operações menores sem perder rigor técnico, o mercado de capitais deixa de ser um universo restrito às grandes corporações e passa a competir de fato com o crédito bancário na captação de capital de giro”, avalia o executivo.
Estrutura simplificada reduz custo de entrada no mercado de capitais
Um dos fatores que explicam a ampliação da base de emissores de Notas Comerciais é a simplificação regulatória do instrumento em relação às debêntures tradicionais, o que reduz o tempo e o custo jurídico necessários para estruturar uma emissão. Para empresas de médio porte que avaliam pela primeira vez uma captação via mercado de capitais, essa diferença costuma ser decisiva, já que o custo fixo de estruturação de uma oferta tradicional muitas vezes inviabiliza economicamente operações de menor volume.
A ID CTVM disponibiliza o Portal Nota Comercial, ambiente digital dedicado à gestão dessas operações, que integra emissores, investidores e prestadores de serviço em um único fluxo, reduzindo o tempo necessário entre a estruturação da oferta e a efetiva liquidação dos recursos captados pela empresa emissora.
Tecnologia e automação sustentam a viabilidade econômica de operações menores
A viabilidade econômica de administrar um número crescente de operações de menor volume individual depende diretamente da capacidade de automação dos processos de escrituração, custódia e liquidação financeira envolvidos em cada emissão. Sem essa automação, o custo operacional de administrar centenas de emissões pequenas poderia se tornar proibitivo tanto para administradores fiduciários quanto para os próprios emissores, o que reverteria justamente o ganho de acesso que o instrumento se propõe a oferecer a empresas de médio porte.
A ID CTVM, que ultrapassou a marca histórica de R$ 53,48 bilhões em ativos sob administração e custódia, tem direcionado parte de sua infraestrutura tecnológica para viabilizar economicamente a administração de um número crescente de operações estruturadas de menor porte, sem abrir mão dos mesmos padrões de conformidade regulatória aplicados a emissões de maior volume.
Perspectivas para a democratização do crédito estruturado
Com o número de emissões de Notas Comerciais crescendo em ritmo mais acelerado do que o volume financeiro movimentado pelo instrumento, o mercado caminha para uma composição de emissores cada vez mais diversificada, na qual empresas de médio porte ocupam espaço crescente ao lado de companhias de maior porte que já dominavam essa modalidade de captação. Para administradores fiduciários e custodiantes independentes, sustentar esse movimento de democratização exige investimento contínuo em tecnologia capaz de tornar economicamente viável a administração de operações menores, sem comprometer o rigor técnico e a segurança jurídica que sustentam a confiança de investidores no instrumento.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

